O que é educar para a igualdade?

Antes de tudo, Educar para igualdade é educar a todos igualmente.

 

A afirmação parece óbvia, mas existe muita complexidade por trás nessas palavras; não nas linhas. Mas nas entrelinhas… Bem ali, naquele lugar que, quem desconhece a visão do mundo sem o colírio do privilégio, não costuma enxergar.

Contudo, a interpretação que venho dar à frase, é muito distante da imediatista: dar educação de qualidade a todos.

 

Mas, ainda que eu propusesse uma análise tão superficial, não o faria sem questionar a ideia de qualidade. Afinal, que qualidade é essa de que estamos falando? Quem estabelece os critérios para se considerar um ensino de qualidade? Quem estabelece os parâmetros para medir isso?

Numa breve análise para sua própria história escolar você verá que, o que está por trás dessa ideia tem nome, sobrenome, cor e endereço. Mais especificamente, sobrenome de escravocratas, cor branca (sempre bom lembrar que branco também é cor) e endereço de elite.

 

Todo nosso sistema educacional foi construído sob os preceitos epistemológicos da branquitude, de maneira que os saberes considerados superiores são aqueles estabelecidos por esse grupo, no objetivo de manutenção de poder, ou seja, todo currículo escolar é pensado sob uma perspectiva eurocêntrica, que coloca a cultura branca como universal e mais sofisticada. 

 

Mas não pense, caro leitor, que a crítica que faço a isso é em busca de submeter os saberes da elite aos saberes tradicionais.

 

Pelo contrário, quero que os saberes da elite sejam sim cada vez mais disseminados, principalmente entre os espaços mais marginalizados, quero sim que as escolas mais periféricas atendam absolutamente às métricas de qualidade de ensino das escolas de elite

A subversão que quero fazer não é a de dar aos saberes da elite o mesmo desprezo que recebem os saberes tradicionais; mas ao contrário, quero dar aos saberes tradicionais o mesmo prestígio que têm os saberes da elite.

 

Quando afirmo que educar para a igualdade é educar a todos igualmente, quero chamar a atenção para o fato de que todas as narrativas são dignas e produtoras de cultura e saberes.

 

O que equivale a dizer que, se o povo negro e indígena precisa se sentar junto aos livros e estudar toda história e cultura européria, a população branca também deveria fazer o mesmo com a história e cultura africana e indígena.

 

“Ninguém ignora tudo. Ninguém sabe tudo. Todos nós sabemos alguma coisa. Todos nós ignoramos alguma coisa. Por isso aprendemos sempre.”

Paulo Freire

 

Esse é o convite que faço, para que a branquitude se coloque na condição de pesquisador, mas não em busca de conhecer para roubar, dominar e oprimir,  como já o fizeram no período colonial.

E sim, em busca de aprender para avançar; honrando, respeitando e tratando nossa ciência ancestral com o mesmo rigor que tratam a ciência acadêmica, sobretudo: referenciando seus autores.

 

“Quando eu cobro o crédito não estou falando do Visa”

Tracie Okereke

 

Por Bruna Melauro

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